Tuesday, December 05, 2006

Matérias apresentadas na disciplina Técnicas de reportagem

Estudantes do curso de Jornalismo da Uniara mergulham no “universo das palavras” em visita ao Museu da Língua Portuguesa
Por Tárcio M. Fabrício
No último dia 23 de maio, os estudantes do primeiro ano do curso de jornalismo da uniara visitaram o Museu da Língua Portuguesa na cidade de São Paulo. A visita teve como principal objetivo demonstrar aos alunos a importância de um bom conhecimento do idioma no bom exercício de sua futura profissão. Durante toda a tarde os alunos puderam conhecer as diversas exposições e ambientes interativos do Museu, onde é possível interagir com toda a história do desenvolvimento da língua, bem como com as influências regionais e de outros idiomas no Português moderno.
Essa “imersão” no mundo das palavras rendeu boas idéias aos participantes da excursão, no que diz respeito ao entendimento da importância da palavra escrita, para a estudante Jovana Treu, 24 anos, a visita foi extremamente interessante, “... se você não consegue se expressar bem com as palavras escritas, o leitor não vai conseguir compreender sua matéria, nem seu ponto de vista”. Já para o estudante Eduardo Gagliani, 18 anos, “os jornalistas também precisam aprender a falar para poder realizar uma entrevista com conteúdo, onde não apenas façamos perguntas às fontes, mas que façamos com que elas se interessem pelo assunto”.
Outro aspecto que em muito chamou a atenção dos participantes da visita foi a grande diversidade de influências a qual foi submetida a Língua Portuguesa no Brasil, a estudante Jovana afirma que antes da visita nunca tinha pensado em quão forte eram essas influências, “... a partir de então, tenho prestado mais atenção no significado das palavras e até tento descobrir qual sua origem”. O idioma para ela pode ser definido a partir de então pela palavra mistura. Eduardo, no entanto o define com a palavra complexidade, “... o português é muito mais complexo pelo menos que o inglês e o francês que geralmente adotam a mesma regra para vários tipos de palavras como adjetivos e advérbios, agora o português tem uma regra para cada classe de palavras”.
Sendo a mais nova atração cultural da cidade e a primeira instituição do gênero no mundo, o museu é ponto de encontro do visitante com a língua, a literatura e a história, exibidas por meio de recursos audiovisuais e tecnologia de ponta. A obra, inaugurada em 20 de março de 2006, é uma realização do Governo do Estado de São Paulo e Fundação Roberto Marinho, com parcerias de empresas públicas e privadas. Em todo o projeto foram investidos R$ 37 milhões.

O Museu da Língua Portuguesa fica na Estação da Luz, na Praça da Luz, s/nº, região central de São Paulo. Funciona de terça-feira a domingo, das 10 às 18 horas e a entrada custa R$ 4,00. Estudantes pagam R$ 2,00.
PT vira em Rincão e dá vitória a Lula
Por Tárcio M. Fabrício
O segundo turno da eleição presidencial ocorreu de forma tranqüila no município de Rincão, SP. O presidente Lula, candidato a reeleição pelo PT, obteve a vitória contando com 52,32 % dos votos contra 47,68 % obtidos pelo candidato Geraldo Alckmin do PSDB.
O resultado causou surpresa, pois no primeiro turno das eleições o candidato do PSDB saiu vitorioso na cidade com 54,8 % contra 40, 91% do candidato petista. Isto significa uma virada de 1.000 votos a favor de Lula, em um universo de pouco mais de 5.000 eleitores, em apenas 20 dias de campanha.
Um dos coordenadores de campanha do PT na cidade, o vereador Bruno Mattos, não se surpreendeu com a virada. Para ele, a animação dos tucanos acabou juntamente com os recursos dos candidatos a deputado, findada a eleição ao legislativo.
O também petista Dudu Bolito, ex-prefeito do município, concorda com essa hipótese observando que apesar disso, o maior mérito foi do próprio candidato, uma vez que “A partir do momento em que a eleição ficou polarizada, a discussão programática e ideológica veio a tona. O adversário de Lula deixou claro que seu partido não tem programa, a não ser privatizar o que ainda não conseguiram no governo anterior”.
A maioria dos partidários do candidato Geraldo Alckmin, não quis se manifestar sobre os resultados. Apenas um militante da juventude do PSDB, que não quis se identificar, se pronunciou dizendo que o clima de “já ganhou” contaminou os integrantes da campanha tucana. “Não tinha jeito, enquanto os petistas trabalhavam, nosso pessoal só tirava o sarro dizendo que se até o Suplicy perdeu aqui, imagina o Lula?”.
Para a socióloga Fabiana Luci de Oliveira o mesmo processo verificado na cidade ocorreu nos pequenos municípios vizinhos da região, onde as ações sociais do governo atual, como o bolsa-família, passaram a ter maior visibilidade no segundo turno.
Cerca de quinze minutos após o fechamento das urnas, os resultados na cidade já tinham sido totalizados pelos fiscais de ambas as coligações, mas as comemorações só começaram após a divulgação das primeiras parciais oficiais do TSE.
Os militantes do PT organizaram uma carreata com cerca de 100 veículos e percorreram as ruas da cidade. Segundo o delegado da cidade Dr. Helton Hugo Negrini, tanto a eleição quanto as manifestações posteriores, transcorreram de forma pacífica e nenhuma ocorrência foi registrada.

Quando amar é sofrer
Por Tárcio M. Fabrício & Jovana M. Treu
Exatamente às 20 horas e 15 minutos, Maria, a mulher mais experiente do grupo, parecendo exercer certa liderança, se despede e lembra às companheiras a primeira regra: “Auto-estima meninas, sempre!”, para em seguida, informar que na próxima semana a reunião começará como de costume, às 19 horas.
A turma formada por 12 mulheres parece animada. Levantando-se vagarosamente, começam a conversar sobre os mais diversos temas, exceto sobre os assuntos discutidos na reunião. A confraternização e o bate papo são bem vindos e até estimulados. Hera, a mais nova do grupo, comenta com uma amiga ao lado sobre o capítulo da novela, enquanto Helena falava que naquele dia iria ao cinema.
Vislumbrando esse desfecho alegre qualquer observador poderia supor tratar-se de uma reunião de amigas, entretanto bastaria regredir alguns minutos para que se instalasse uma impressão bem diferente sobre este encontro.
Nesse mesmo dia, quarta-feira, 15 de novembro, cerca de 1 hora e quinze minutos antes, tinha início mais uma reunião do M.A.D.A. ou Mulheres que Amam Demais Anônimas. Esse grupo é formado por mulheres que têm em comum um transtorno psicológico, cujos diagnósticos aumentam a cada dia.
Nestas reuniões, elas buscam uma forma de tratamento há muito praticada por dependentes químicos, e se utilizam da ajuda mútua para enfrentar o seu tipo de dependência, que talvez seja um dos mais cruéis: a dependência afetiva.
Nesse exato dia, Hera chegou pontualmente à reunião com os olhos mareados, inconsolável. Pediu para ser a primeira a falar e foi prontamente atendida.“Eu não consegui! Mais uma vez fui xeretar no computador dele e tomar satisfação sobre um e-mail de um amigo” disse ela.
A mulher alta, bem vestida e imponente, chorava como uma criança enquanto narrava sua semana. Rompendo o silêncio, Maria resolveu intervir, lembrando a “amiga” que esse tipo de atitude é normal, principalmente nas novatas. Infelizmente nas mais experientes também, completou. “Não podemos esquecer que sempre estaremos sujeitas a passar por isso, o que a gente tem não pode ser curado e só conseguimos controlar essa compulsão se lembrarmos disso”.
Foi em 1985 que a psicóloga e terapeuta familiar Robin Norwood, lançou um livro baseado na sua própria experiência e na experiência de centenas de mulheres envolvidas com dependentes químicos. Ela percebeu um padrão de comportamento comum em todas elas e as chamou de "mulheres que amam demais".
No referido livro, a autora descreve o distúrbio como sendo uma “dependência afetiva”, onde as vítimas – assim como os dependentes de álcool ou drogas – necessitam da troca de experiências e de aconselhamento para se reintegrarem ao convívio social.
Aparentemente as reuniões têm um efeito apaziguador nas participantes, como relata Helena, psicóloga e integrante do grupo. “Eu não podia me aceitar tendo o mesmo distúrbio de algumas de minhas pacientes e também não acreditava que esse grupo pudesse surtir algum efeito” conta.
O distúrbio, que acomete Helena e suas companheiras, é denominado cientificamente como Hiperosia e é, na verdade, um tipo de compulsão sexual, não atingindo exclusivamente o sexo feminino, mas, devido às características de identidade de gênero masculino ou feminino, alguns comportamentos compulsivos são mais notáveis em homens e outros em mulheres, sendo o ciúme e a baixa auto-estima mais constantes entre estas.
Depois de um tempo lutando contra o diagnóstico e participando de inúmeras confusões, com o então namorado, Helena criou coragem e foi a uma reunião: “cheguei como todas as novatas, chorosa e incrédula; mas já na primeira saí aliviada”. Desde então sua presença nos encontros é uma constante; “parece uma sessão de descarrego” brinca.
A Psicóloga Juliana Steiner, especialista em sexualidade, explica que os portadores da Hiperosia são aqueles ciumentos compulsivos; que se envolvem nos mais diversos problemas por desconfiança; capazes de atos violentos em casos mais extremos, geralmente se afundam em crises depressivas e tem uma visão distorcida de si; “não se acham a altura de seus parceiros” relata.
Outro grande problema, segundo Juliana, é a tendência dos portadores do distúrbio, a se envolverem com parceiros em geral muito frios e também com algum tipo de comportamento distorcido. “Se a garota vai para uma festa, você pode ter certeza que ela vai se encantar pelo típico cara que a trocará pelo jogo de futebol no ·domingo à tarde, ou preferirá viajar com os amigos para o litoral a passar o feriado na casa da família dela”.
Hera confirma o perfil traçado pela psicóloga, e enxerga ser esse o maior de seus problemas, “realmente sempre acho esses tipos mais atraentes; tenho certeza que seria muito mais feliz se me envolvesse com pessoas que realmente se importam comigo, aquelas com quem sei que posso conversar, sei que posso confiar”.
O problema enfrentado pelos dependentes afetivos foi retratado na novela “Mulheres Apaixonadas” em 2003, pelo autor Manoel Carlos. A partir da exposição da personagem na novela, o número de diagnósticos de Hiperosia aumentou, graças ao conhecimento, que o grande público e os próprios profissionais de saúde passaram a ter do problema. Para Juliana, outro fator importante é a atuação do próprio M.A.D.A. na divulgação e na formação de novos grupos de apoio.
Nesse caso a internet tem sido de fundamental importância. Segundo Maria, a mais antiga das “amigas” na reunião, o site do M.A.D.A., os grupos de discussão e a comunidade do orkut, têm sido os principais canais de integração, tanto entre os portadores do distúrbio quanto entre os profissionais interessados.
Algumas participantes, como Helena não agüentam esperar por uma longa semana e se utilizam desses subterfúgios tecnológicos. “Sempre que sinto uma recaída apelo para a sala virtual do M.A.D.A., sei que lá sempre vai ter alguém pra conversar comigo”. Hera também diz freqüentar essas salas, mas faz uma ressalva dizendo que em muitas situações as coisas não são bem assim: “ às vezes entram algumas adolescentes achando que o mundo vai acabar porque o namorado não telefonou, eu sempre respondo que elas nem imaginam o que é amar demais (risos)”.
Como forma de tratamento, Juliana indica o acompanhamento psicológico e a participação nas reuniões do M.A.D.A.; esse tipo de terapia funciona na grande maioria dos casos, entretanto, em casos mais graves deve-se recorrer à ajuda psiquiátrica.
No final de nossa conversa, quando as “amigas” foram questionadas quanto ao seu futuro, a resposta foi praticamente uníssona – Amanhã eu vou me amar em primeiro lugar, depois vou valorizar quem me valoriza; nem que seja só por um dia!
* o nome das participantes do M.A.D.A. entrevistadas foram substiruidos por nomes fictícios

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